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Entendendo o DEVOPS

Entendendo o DEVOPS, e porquê esta mudança cultural tem se tornado cada vez mais necessidade, e não opção.

No post anterior eu deixei escrito que iria falar sobre DEVOPS, neste artigo explicarei melhor a cultura.

Ainda não temos uma boa adoção da cultura no Brasil, e muitas empresas estão agindo no sentido de DEVOPS ser uma área, o que também não é uma boa estratégia, conforme falaremos a seguir.

DEVOPS – O início

Após o surgimento do manifesto ágil, em 2001, os profissionais de TI começaram a ver cada ano que passava que fazia-se necessária uma mudança na forma de entrega.

Em 2005 com o surgimento do Puppet e GIT, começamos a vislumbrar uma forma de entrega de infraestrutura como código podendo unir-se aos deploys de sistemas.

Ano de 2007, Patrick Debois foi contratado como consultor para uma migração de um sistema do governo da Bélgica e ficou muito incomodado com os muitos conflitos que existiam (e nota: ainda existem!!!) entre os desenvolvedores e o sysadmins. Neste momento ele começou a pensar em formas de mudar o cenário.

Logo mais em 2008 com grandes investimentos nos softwares livres de entrega de infraestrutura como código, começou-se a citar o termo “Infraestrutura Ágil”  nos fóruns de discussões.

Também em 2008, a conferência Ágile gera uma grande divulgação dos conceitos de Deploy Contínuo e nesta conferência, Andrew Shafer apresenta a palestra “Agile Infrastructure” e somente uma pessoa assiste a ela: Patrick Debois. Após a palestra, eles conversam muito e decidem inaugurar o grupo “Agile Systems Administration Group”. Aí começa a abertura do caminho para DEVOPS.

Em 2009 na conferencia Velocity da O’Reilly (Toronto), que John Allspaw (Etsy.com) e Paul Hammond (Typekit) apresentam uma palestra cujo objetivo é demonstrar uma forma de unir Desenvolvedores (DEV) e Administradores de Infraestrutura (OPS) com o objetivo de estabelecer um método de entrega contínua, e desta forma dar agilidade nas entregas de TI. O nome da palestra: “10+ Deploys a Day: Dev and Ops Cooperation at Flickr”.

Patrick Debois assistiu a esta palestra remotamente e em seu twiter lamenta-se por não ter conseguido assistir à palestra pessoalmente. Recebe uma provocação de Paul Nasrat: “Por quê você não faz uma Velocity Conf aí na Bélgica?”

Patrick Debois aceita o desafio e em Outubro de 2009 cria a conferência DEVOPS Day. Esta conferência torna-se um sucesso, milhares de desenvolvedores e sysadmins, além de profissionais de qualidade e automação. Após a conferência, inicia-se no twiter a hashtag #DevOps e a partir daí começa-se a difundir o termo mundialmente.

Mas o que é DEVOPS?!

Como deu para observar sobre o início da história do DEVOPS, não estamos falando de uma ferramenta, muito menos de um departamento. Também não estamos falando de uma metodologia única.

Quando falamos de DEVOPS, nós falamos na essência de uma cultura.

E porquê uma cultura ?

Primeiro ponto é que de fato, existe um enorme conflito entre DEV e OPS e este conflito precisa ser quebrado. É necessário sair da zona de confronto onde um diz que o outro está errado, para entrar na zona de trabalho colaborativo.

As pessoas precisam entender que o que importa é o cliente final, ou seja, o que a empresa consegue gerar de valor para as pessoas que se relacionam com ela. Também precisam entender que é necessário agilidade na entrega de valor para o cliente, pois no mundo atual de mudanças rápidas e constantes, qualquer valor novo que o concorrente entregue para o cliente, a difusão da informação em redes sociais faz com que o impacto financeiro para a empresa seja grande. Entretanto também é necessário entender que este valor e agilidade tem que ser entregue com qualidade e garantindo disponibilidade.

Então, para atender os requisitos de Qualidade, Disponibilidade, Agilidade e Entrega contínua, DEVOPS começou a ser resumido na imagem abaixo

devops-figura-3

Ou seja, DEVOPS é uma mudança cultural apoiada por metodologia de automação e trabalho colaborativo unindo as áreas de Desenvolvimento, Operações e Qualidade para entregar valor para o cliente final, de forma contínua.

Fabiano de Freitas em seu post Devops: Matter of Survival apresenta uma imagem que para mim gera a cultura devops “in one page”:

circulo_devops_culture_full

Para uma implantação com sucesso da cultura DEVOPS, a gestão deve preocupar-se em implantar estes principios:

  • Mudar é bom
  • Utilização de ferramentas de automação
  • Transparencia entre todos
  • Reconhecer bons comportamentos
  • Inovar
  • Prestação de contas entre as áreas
  • Não culpar os outros
  • Aceitar as falhas
  • Confiança
  • Trabalho colaborativo
  • Honestidade e abertura entre todos.
  • Trabalhar a comunicação.
Conclusão

Pode-se observar que o início para aplicar o DEVOPS na sua empresa, é a adoção da mudança cultural. A gestão deve estimular o bom relacionamento entre sistemas e infraestrutura, e se possivel, incluir neste bolo a equipe de negócios, pois todos juntos serão responsáveis pelas entregas, o que gera mais engajamento e sentimento de dono.

Outro ponto importante, é a adoção de ferramentas de automação, não há como você entregar DEVOPS se o time da infraestrutura ainda estiver atuando no modelo tradicional de entrega, onde para atendimento dos projetos perde-se alguns meses.

Eu diria, que se fosse classificar o item número um de importância para a entrega de DEVOPS na empresa, este item seria a infra ágil.

No próximo artigo irei começar a detalhar um pouco mais o operacional de uma infraestrutura ágil, citando algumas ferramentas.

Até lá!

 

Acelere a entrega da operação com o poder da Infraestrutura Ágil

Irei falar neste artigo sobre o poder da Infraestrutura ágil e como você pode acelerar a tua entrega de operações tratando infraestrutura como código. Este artigo mostra uma visão gerencial, não tratarei o uso das ferramentas ou como criar uma configuração. Em posts posteriores detalharei mais o assunto ao nível técnico.

Infraestrutura não é Ágil.

Muito se fala sobre DEVOPS nos dias atuais, porém, tenho visto nas empresas quando trata-se de DEVOPS focarem no DEV e esquecerem do OPS.

Este cenário, não é culpa das empresas em sí. O ponto que eu vejo é que a área de desenvolvimento, esteve à frente da área de operações.

Por exemplo, Manifesto Ágil surgiu em 2001, e a área de operações não se juntou à ele.

Enquanto cada vez mais a área de desenvolvimento se organiza para acelerar sua entrega, buscando deploy contínuo, a área de infraestrutura caminha(va) pelo lado contrário, buscando cada vez menos mudanças em seu ambiente.

E este pensamento vem da premissa que está sendo quebrada de que quanto menos mudanças você fizer no teu ambiente, menos chances de indisponibilidade você estará correndo.

Entretanto, uma revolução como a revolução industrial tem mexido na forma de trabalho das empresas. A era do conhecimento, que trouxe junto com ela toda revolução digital.

A era digital

Cada vez mais, o consumidor está se conectando ao mundo digital.

De acordo com um relatório publicado ainda em 2015 pela ONU, no mundo há 3,2 bilhões de pessoas com acesso à internet. Para se ter uma idéia, em 2000 tinhamos apenas 400 mil usuários, ou seja, a evolução de pessoas conectadas cresce cada vez mais.

E o que o cliente final espera das empresas ?

O consumidor digital busca maior interação com a marca, mas também exige mais de seu posicionamento no mercado, o que se caracteriza por novas demandas e novas oportunidades para as empresas

MCLUHAN, 1964, p. 23

Ou seja, cada vez mais, o cliente busca que a empresa entregue produtos de forma mais ágil e tenha mais interação com ele, saiba quem ele é, e quebre os paradigmas das formalidades. O cliente quer ter um relacionamento com a empresa, da mesma forma que se relaciona com um amigo próximo.

Deploy Contínuo e início de infraestrutura ágil

O desenvolvimento ágil foi cada vez mais evoluindo com o surgimento do manifesto ágil, e conseguindo atender à demanda do novo cliente digital. Tivemos grandes marcos, como por exemplo,  em 2005 o lançamento do GIT que acelerou a forma colaborativa de desenvolvimento, acelerando muito a entrega.

Ao mesmo tempo, um cara de operações (sysadmin) que sabia de programação iniciou a criação do PUPPET, a sua idéia era conseguir evoluir o “shell script” e fazer algo mais poderoso para a entrega da infraestrutura.

Em 2008, a VMWARE e outras empresas começam a investir pesado no Puppet, o que faz com que ele se torne um software de entrega de infraestrutura ágil, e a partir daí começa-se usar o termo Infra Ágil.

O ponto de ebulição vem com a conferência Agile em 2008 onde começou-se a mudar a forma de desenvolvimento em cascata para deploy contínuo.

DEVOPS DAY

Em 2009 durante a conferência Velocity da O’Reilly, John Allspaw e Paul Hammond citam pela primeira vez o termo DEVOPS, onde demonstram uma cultura que une Desenvolvimento, Operações e QA (irei falar mais sobre esta cultura em artigos posteriores).

Uma pessoa que assistiu a palestra ficou fascinada: Patrick Debois. ele resolveu criar uma conferência chamada DEVOPS Day. A partir daí o termo se expandiu mundo a fora e a área de operações começou a abrir a cabeça para entrega contínua e ágil.

Quebrando paradigmas – Deploy Contínuo na infraestrutura

O curioso da adoção da infraestrutura ágil, é que diferente do velho paradigma que diz que quanto menos deploy você fizer no ambiente maior o índice de disponibilidade, você ter uma comunidade de entrega contínua reduz drásticamente a chance de ter um problema em produção.

É o que comprova o estudo da PuppetLab chamado “State of Devops”. Eles entrevistaram ao longo dos últimos 5 anos mais de 25 mil profissionais e chegaram aos seguintes números:

  • Organizações de alta performance fazem até 200x mais deploys e reduzem em 2.555 x o lead time (tempo de entrega de um produto da sua concepção ao lançamento).
  • O tempo de recuperação de uma falha é 24x mais rápido e 3x menos chances de ter uma falha em mudanças.
  • Os times de alta performance diminuem em 50% vezes o tempo em que perdem com problemas de segurança no ambiente.
  • Outro ponto é que reduzem em 22% a perda de tempo com re-trabalhos. O que faz com que eles fiquem maior parte do tempo focados em entrega de novos produtos.

Conclusão

A adoção da infraestrutura ágil é uma das bases para você implementar DEVOPS em sua empresa.

Não adiantará você ter todo o desenvolvimento e qualidade entregando de forma contínua se não tiver a infraestrutura conseguindo suportar todos os novos deploys.

Ter o time de infraestrutura participando junto ao desenvolvimento na elaboração do produto, aumenta o engajamento dos teus funcionários para melhores entregas.